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    Era uma vez...




    Era uma vez...

    OS DOIS ANJOS

     

    Dois anjos viajantes pararam para passar a noite na casa de uma família rica. A família era rude e se recusou a deixar os anjos ficarem no quarto de hóspedes da mansão. Em vez disso eles foram mandados a dormir num pequeno e frio espaço no porão. Quando estavam fazendo sua camas no chão duro, o anjo mais velho viu um buraco na parede e consertou-o. Quando o anjo mais novo viu perguntou o por que disso, o anjo mais velho respondeu, "Algumas coisas não são sempre o que parecem ser."

    Na noite seguinte os dois de anjos foram descansar na casa de pessoas muito pobres, mas muito hospitaleiras, um fazendeiro e sua esposa. Depois de dividir o pouco de comida que tinham, o fazendeiro e sua esposa acomodaram os anjos na sua cama onde poderiam ter uma boa noite de descanso. Quando o sol ascendeu na manhã seguinte os anjos encontraram o fazendeiro e sua esposa em lágrimas. Sua única vaca, que o leite tinha sido sua única fonte de renda familiar, amanheceu deitada morta no campo.

    O anjo mais novo estava furioso e perguntou, "Como você pode deixar isto acontecer? O primeiro homem tinha tudo e você ajudou ele. A segunda família tem pouco mas estava disposta a dividir tudo, e você deixou a vaca morrer." O anjo mais velho respondeu: "Algumas coisas não são sempre o que parecem ser." E continuou, "Quando nós ficamos no porão daquela mansão, eu vi que tinha ouro guardado naquele buraco na parede. Desde que o dono era totalmente obcecado por dinheiro e incapaz de dividir sua fortuna, eu tampei o buraco para que ele não ache o ouro. Então noite passada quando estávamos a dormir na cama do fazendeiro, o anjo da morte veio por sua esposa. Eu dei a ele a vaca no lugar de sua esposa. Algumas coisas não são sempre o que parecem ser.



    Escrito por Sú às 10h46 PM
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    Reflexões da Sú...

    "Fé é o pássaro que sente a luz e canta quando a madrugada é ainda escura."

    Rabindranath Tagore



    Escrito por Sú às 10h38 PM
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    Era uma vez...

     

    O Fantasma do Lustre

    Marlene B. Cerviglieri

     

    Estávamos todos reunidos na pequena biblioteca de nossa casa. Como era de costume sempre após o jantar fazíamos nossos deveres de escola. Eu, estava às voltas com meus teoremas, minha irmã com sua redação e meu irmão tentando recortar alguma figura para o cartaz de ciências. Ali, entretidos, ouvimos um estalo vindo do alto. Um olhou para o outro e não dissemos nada, apenas balançamos os ombros como que dizendo: que foi? Continuamos concentrados. De repente a luz piscou duas vezes, mas, imediatamente, voltou e ficou normal. Ficamos quietos  novamente.

    De repente ouvimos um forte assobio... Aí então não deu para ficar quieto, saímos correndo da sala. Fomos direto à sala de estar onde papai e mamãe estavam dando uma olhadinha no jornal.

    - Que foi? perguntaram os dois já de pé tal a pressa com que adentramos a sala.

    - Tem um fantasma no lustre dissemos os três quase que gaguejando.

    - O quê? disse meu pai.

    - É um fantasma no lustre!

    Acompanhamos meu pai que levou consigo uma escada. Até ai então não entendíamos porque uma escada. Puxa, ele não tinha medo mesmo.

    Subiu nela, vimos que apertava alguma coisa e depois delicadamente pegou algo. Desceu.

    - Prontos para ver o fantasma?

    Grudamo-nos uns nos outros...

    - Primeiro: a lâmpada estava meio solta. Apertei-a e agora não vai mais piscar. E aqui está o fantasma que assobiou para vocês.

    Abriu a mão e lá estava um inseto pequenino.

    - Papai, o que é isso?

    - Uma cigarra meus filhos, e elas  cantam, assoviam!

    Ficamos de boca aberta olhando.

    - Então não tem fantasma?

    - Claro que não.

    Voltamos a outra sala e lá meus pais riam do nosso susto.

    Puxa e eu que pensava que tinha um fantasma no lustre!

    A janela bateu com o vento e, novamente, saímos correndo.

    - Foi a janela - dissemos juntamente com as risadas de meus pais.

    Sempre que entro numa biblioteca lembro deste fato, olho para os lustres e procuro o fantasma, ou seja, as cigarras.



    Escrito por Sú às 11h06 AM
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    A arte das... nas... com palavras...

    Homenagem a chuchu da Adriana Hollenbeck ...rsrsrsrs...



    Escrito por Sú às 11h48 AM
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    Reflexões da Sú...

    "Uma garotinha, perguntada onde era sua casa, respondeu, 'onde minha mãe está.'"
    -- Keith L. Brooks



    Escrito por Sú às 12h32 PM
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    Era uma vez...

    NÓ NO LENÇOL

    Em uma reunião de pais numa escola de periferia, a diretora incentivava o apoio que os pais deveriam dar aos filhos. Colocava esta diretora também que os mesmos deveriam se fazer presentes para os filhos; entendiam que, embora soubesse que a maioria dos pais e mães daquela comunidade trabalhassem fora, deveriam achar um tempinho para se dedicar e atender às crianças.

    Ela ficou muito surpresa quando um pai se levantou e explicou, na sua maneira humilde, que ele não tinha tempo de falar com o filho, nem de vê-lo durante a semana, pois quando ele saía para trabalhar era muito cedo e o filho ainda esta dormindo, e quando voltava do trabalho, o garoto já havia deitado, por chegar muito tarde.

    Explicou, ainda, que tinha de trabalhar assim para poder prover o sustento da sua família. Porém, ele contou também que isso o deixava angustiado não ter tempo para o filho, mas que tentava se redimir, indo beijá-lo todas as noites quando chegava em casa e, para que o filho soubesse de sua presença, ele dava um nó na ponta do lençol que o cobria. Isso acontecia, religiosamente, todas as noites quando ia beijá-lo.

    Quando este acordava e via o nó, sabia através dele que o pai havia estado ali e o havia beijado. O nó era o elo de comunicação entre eles. Mais surpresa ainda a diretora ficou, quando constatou que o filho desse pai era um dos melhores alunos da sala.

    Esta estória faz-nos refletir muitas e muitas maneiras de um pai se fazer presente, de se comunicar com o filho, e esse pai encontrou a maneira dele. E o mais importante: "a criança percebe isso".

    Nós nos preocupamos com os nossos filhos, mas é importante que eles sintam, que eles saibam disso.  

    Devemos nos exercitar nossa comunicação e encontrar cada um a sua própria maneira de mostrar ao seu filho e sua presença.

    Então nós perguntamos:

    Você já deu um nó no lençol de seu filho hoje?



    Escrito por Sú às 12h17 PM
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    Era uma vez...

    Um fotógrafo estava certo que ia ver a morte dos cães que puxam trenós quando um urso polar vindo do nada e se aproximou deles. 

    Mas algo diferente aconteceu. O urso polar voltou todas as noites dessa semana para brincar com os cães.


     


    Escrito por Sú às 02h06 PM
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    Mais Reflexões da Sú...

    “A esperança é um pássaro que nunca desisti de cantar, e eu já o escutei na tempestade, e ele sequer me pediu uma mísera migalha”. (Emily Dickinson)



    Escrito por Sú às 01h59 PM
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    Reflexões da Sú...

    ESCUTATÓRIA          
                                                                       RUBEM ALVES



    Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória.

     Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular.

    Escutar é complicado e sutil. Diz Alberto Caiero que "não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma".

     Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça sobre como são as coisas.

    Para se ver, é preciso que a cabeça esteja vazia.

    Parafraseio o Alberto Caiero: "Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito; é preciso também que haja silêncio dentro da alma".  

     Daí a dificuldade: a gente não agüenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer.

     Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração e precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor. Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil de nossa arrogância e vaidade: no fundo, somos os mais bonitos... Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos. Contou-me de sua experiência com os índios.

     Reunidos os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio.  Aí, de repente, alguém fala. Curto. Todos ouvem. Terminada a fala, novo silêncio. Falar logo em seguida seria um grande desrespeito, pois o outro falou os seus pensamentos, pensamentos que ele julgava essenciais. São-me estranhos.   É preciso tempo para entender o que o outro falou. Se eu falar logo a seguir, são duas as possibilidades:

    Primeira: "Fiquei em silêncio só por delicadeza. Na verdade, não ouvi o que você falou.

     Enquanto você falava, eu pensava nas coisas que iria falar quando você terminasse sua (tola) fala. Falo como se você não tivesse falado".

    Segunda: "Ouvi o que você falou. Mas isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou".

    Em ambos os casos, estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada.

     O longo silêncio quer dizer: "Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou".

     E assim vai a reunião.

    Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio de dentro. Ausência de pensamentos.

     E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia antes.

     Eu comecei a ouvir.

    Fernando Pessoa conhecia a experiência, e se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras, no lugar onde não há palavras. A música acontece no silêncio. A alma é uma catedral submersa. No fundo do mar - quem faz mergulho sabe - a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos. Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia, que de tão linda nos faz chorar.

    Para mim, Deus é isto.



    Escrito por Sú às 12h05 PM
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    Sabores e saberes...

    Mãe é mãe!!!
     


    Num zoológico da Califórnia, uma tigresa teve três filhotes, mas eles eram prematuros e doentes, e morreram logo.

    A tigresa então começou a apresentar sinais de depressão. Os veterinários sabiam que a perda dos filhotes era a razão do problema, e decidiram tentar arranjar outros filhotinhos para ela criar e se animar.

    Mas depois de checarem vários zôos pelo país afora, não encontraram nenhum tigrinho disponível.
    Os veterinários decidiram então tentar algo diferente, que nunca havia sido feito: às vezes uma fêmea cuida de filhotes de animais de outras espécies.

    Os únicos órfãos que conseguiram localizar eram uns porquinhos, que foram enrolados em pele de tigre, e colocados junto à mamãe tigre.

    Vejam só as fotos: É uma tigresa, mas o coração é de mãe.

    PARA TODAS AS MÃES:

    FELIZ DIA DAS MÃES!



    Escrito por Sú às 11h15 AM
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    Era uma vez...

    O mundo de Sofia - Jostein Gaarder

    Cia. das Letras, São Paulo, 1998

          Tradução de João Azenha Jr.       

     

    (...)

    Era uma vez uma centopéia que sabia dançar excepcionalmente bem com suas cem perninhas. Quando ela dançava, os outros animais da floresta reuniam-se para vê-la e ficavam muito impressionados com sua arte. Só um bicho não gostava de assistir à dança da centopéia: uma tartaruga.

    -- Na certa porque tinha inveja.

    -- "Como será que eu posso conseguir fazer a centopéia parar de dançar?", pensava ela. Ela não podia simplesmente dizer que a dança da centopéia não lhe agradava. E também não podia dizer que sabia dançar melhor que a centopéia, pois ninguém iria acreditar. Então ela começou a bolar um plano diabólico.

    -- Que plano era esse?

    -- A tartaruga pôs-se, então, a escrever uma carta endereçada à centopéia: "Oh, incomparável centopéia! Sou uma devota admiradora de sua dança singular e gostaria muito de saber como você faz para dançar. Você levanta primeiro a perna esquerda número 28 e depois a perna direita número 59, ou começa a dançar erguendo a perna direita número 26 e depois a perna esquerda número 49? Espero ansiosa por sua resposta. Cordiais saudações, a tartaruga".

    -- Que coisa de doido!

    -- Quando a centopéia recebeu esta carta, refletiu pela primeira vez na sua vida sobre o que fazia de fato quando dançava. Que perna ela movia primeiro? E qual perna vinha depois? E você sabe, Sofia, o que aconteceu?

    -- Acho que a centopéia nunca mais dançou.

    -- Foi isso mesmo. E é exatamente isto que pode acontecer quando o pensamento sufoca a imaginação.

    (...)



    Escrito por Sú às 07h24 PM
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    Era uma vez...

    O Garoto das Meias Vermelhas

     

    Ele era um garoto triste. Procurava estudar muito. Na hora do recreio ficava

    afastado dos colegas, como se estivesse procurando alguma coisa. Todos os outros

    meninos zombavam dele, por causa das suas meias vermelhas.

    Um dia, o cercaram e lhe perguntaram porque ele só usava meias vermelhas. Ele

    falou, com simplicidade: "no ano passado, quando fiz aniversário, minha mãe me levou

    ao circo. Colocou em mim essas meias vermelhas. Eu reclamei. Comecei a chorar.

    Disse que todo mundo iria rir de mim, por causa das meias vermelhas.

    Mas ela disse que tinha um motivo muito forte para me colocar as meias

    vermelhas. Disse que se eu me perdesse, bastaria ela olhar para o chão e quando visse

    um menino de meias vermelhas, saberia que o filho era dela. "Ora", disseram os garotos.

    "mas você não está num circo. Por que não tira essas meias vermelhas e as joga fora?"

    O menino das meias vermelhas olhou para os próprios pés, talvez para disfarçar

    o olhar lacrimoso e explicou: "é que a minha mãe abandonou a nossa casa e foi embora.

    Por isso eu continuo usando essas meias vermelhas. Quando ela passar por mim, em

    qualquer lugar em que eu esteja, ela vai me encontrar e me levará com ela".

    Muitas almas existem, na Terra, solitárias e tristes, chorando um amor que se foi.

    Colocam meias vermelhas, na expectativa de que alguém as identifique, em meio à

    multidão, e as leve para a intimidade do próprio coração. São crianças, cujos pais as

    deixaram, um dia, em braços alheios, enquanto eles mesmos se lançaram à procura de

    tesouros, nem sempre reais. Lesadas em sua afetividade, vivem cada dia à espera do

    retorno dos amores, ou de alguém que lhes chegue e as aconchegue. Têm sede de

    carinho e fome de afeto. Trazem o olhar triste de quem se encontra sozinho e anseia por

    ternura.

    São idosos recolhidos a lares e asilos, às dezenas. Ficam sentados em suas

    cadeiras, tomando sol, as pernas estendidas, aguardando que alguém identifique as

    meias vermelhas. Aguardam gestos de carinho, atenções pequenas. Marcam no

    calendário, para não se perderem, a data da próxima visita, do aniversário, da

    festividade especial. Aguardam...

    São homens e mulheres que se levantam todos os dias, saem de casa, andam

    pelas ruas, sempre à espera de alguém que partiu, retorne. Que o filho que tomou o

    rumo do mundo e não mais escreveu, nem deu notícia alguma, volte ao lar. São

    namorados, noivos, esposos que viram o outro sair de casa, um dia, e esperam o

    retorno. Almas solitárias. Lesadas na afetividade. Carentes. Pense nisso!

    O amor, sem dúvida, é lei da vida. Ninguém no mundo pode medir a resistência

    de um coração quando abandonado por outro. E nem pode aquilatar da qualidade das

    reações que virão daqueles que emurchecem aos poucos, na dor da afeição

    incompreendida. Todos devemos respeito uns aos outros. Somos responsáveis pelos que

    cativamos ou nos confiam seus corações. Se alguém estiver usando meias vermelhas,

    por nossa causa, pensemos se esse não é o momento de recompor o que se encontra

    destroçado, trabalhando a terra do nosso coração. A maior de todas as artes é a arte de

    viver juntos.



    Escrito por Sú às 01h04 PM
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    Era uma vez...

    A VELHINHA, A GALINHA E OS OVOS DE PÁSCOA
    (Conto Lituano de Nijole Jankute- Tradução livre de Olga Prokopowit)


       Numa pequena aldeia, havia uma pequena casa. Nesta casa morava uma velhinha. Ela criava uma galinha e um coelho. A galinha tinha seu ninho embaixo da escada e lá botava seus ovos. O coelho vivia solto pelo gramado que circundava a casa. A galinha cacarejava toda vez que botava um ovo, e a velhinha corria para recolher o ovo que a galinha botava e a alimentava com boa comida.

      A velhinha gostava muito da carijó, que tinha a crista vermelha, as patinhas amarelas e as penas coloridas.. Gostava também do coelho, que tinha o lábio partido, as orelhas bem grandes e o pelo branco bem fofinho.
       Certo dia, a velhinha escuta a galinha cacarejando tão alto e tão feliz: -- Botei, botei, botei! Até o coelho assustou-se e ficou com as orelhas em pé.
       A velhinha desceu bem rápido os degraus da escada, abaixou-se e viu no ninho um ovo bem grande, com manchas multicoloridas. Era tão lindo que ela não cansou de admirá-lo.

     Com muito cuidado pegou-o e levou-o para a cozinha. Ficou pensando o que faria com ele. Não podia comê-lo, pois era muito bonito e também não podia deixa-lo como enfeite, pois poderia cair e quebrar-se.

     O coelho que estava ao seu lado, disse-lhe: --E se der de presente para uma criança? A Páscoa está chegando e com certeza quem recebe-lo ficará muito feliz.
       A idéia é boa, respondeu a velhinha, porém para qual criança? Eu conheço tantas. Ela pensou um pouco e exclamou: --Já sei, vou juntar muitos ovos da galinha carijó e depois de pintá-los vou presentear todas as crianças. Saltitando e feliz, o coelho dizia: -- Eu também vou ajudar a pintar. Assim dito, assim feito.
       A galinha carijó botou muitos ovos. A velhinha recolheu-os numa cesta de vime e junto com o coelho branquinho, pintou-os. Ficaram tão bonitos. Multicoloridos. Vermelhos, verdes, azuis, amarelos, roxos. Alguns listrados., outros com bolinhas e até com flores. No domingo de Páscoa, a velhinha os colocou numa bela cesta e o coelho branquinho distribuiu-os para todas as crianças da aldeia.

     



    Escrito por Sú às 11h11 PM
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    Sabores e saberes...

     

    A Páscoa (do hebraico Pessach, significando passagem) é um evento religioso cristão, normalmente considerado pelas igrejas ligadas a esta corrente religiosa como a maior e a mais importante festa da cristandade. Na Páscoa os cristãos celebram a Ressurreição de Jesus Cristo (Vitória sobre a morte) depois da sua morte por crucificação (ver Sexta-Feira Santa) que teria ocorrido nesta altura do ano em 30 ou 33 d.C. O termo pode referir-se também ao período do ano canônico que dura cerca de dois meses a partir desta data até ao Pentecostes.

    Os eventos da Páscoa teriam ocorrido durante o Pessach, data em que os judeus comemoram a libertação e fuga de seu povo escravizado no Egito (Portugal, África e Timor) Egito (Brasil).

    A palavra Páscoa advém, exatamente do nome em hebraico da festa judaica à qual a Páscoa cristã está intimamente ligada, não só pelo sentido simbólico de “passagem”, comum às celebrações pagãs (passagem do inverno para a primavera) e judaicas (da escravatura no Egito para a liberdade na Terra prometida), mas também pela posição da Páscoa no calendário, segundo os cálculos que se indicam a seguir.

    A última ceia partilhada por Jesus e pelos discípulos é considerada, geralmente, um “seder do pesach” – a refeição ritual que acompanha a festividade judaica, se nos atermos à cronologia proposta pelos Evangelhos sinópticos. O Evangelho de João propõe uma cronologia distinta, ao situar a morte de Cristo por altura da hecatombe dos cordeiros do Pesach. Assim, a última ceia teria ocorrido um pouco antes desta festividade.

    Os termos "Easter" (Ishtar) e "Ostern" (em inglês e alemão, respectivamente) parecem não ter qualquer relação etimológica com o Pesach (páscoa). As hipóteses mais aceitas relacionam os termos com Eostremonat, nome de um antigo mês germânico, ou de Eostre, uma deusa germânica relacionada com a primavera que era homenageada todos os anos, no mês de Eostremonat, de acordo com o historiador inglês do século VII, Beda.

    A todos vocês...
    JOYEUSES PÂQUES (em francês); VESELE VANOCE (em t
    checo); SCHÖNE OSTERN (em alemão); FELICES PASCUAS (em espanhol); BUONA PASQUA (em italiano); SREKEN VELIGDEN (em macedônio); HAPPY EASTER em (inglês); KALO PASKA (em grego);  FOUAI HWO GIE QUAI LE  (em chinês);  EID-FOSS'H MUBARAK (em árabe); SRETUN USKRS (em croata); Boldog Husveti Ünnepeket (em húngaro); Wesolych Swiat (em polonês); Mutlo (eller Hos) Paskalya (em turco).

    Ou, simplesmente...  Feliz Páscoa!

     



    Escrito por Sú às 11h01 PM
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    Quem sou eu...

    Sueli do Nascimento, pedagoga e contadora de histórias.

    Realiza apresentações de contos da tradição oral.

    “A Arte é educadora enquanto arte e não enquanto arte educadora " (Walter Benjamin)

    A arte faz parte de minha vida seja na fotografia como na pintura, criar é o primeiro passo para direcionar uma nova jornada, da qual nosso olhar estabelece uma meta mágica: "educar com arte"!



    Escrito por Sú às 09h38 PM
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    Sabores e saberes...

        "ELEGÂNCIA É TUDO QUE É BELO, SEJA NO DIREITO SEJA NO AVESSO"

    Visitem o Blog: http://ateliebonecasdepano.blogspot.com/ e conheça o trabalho maravilhoso de Mayra Lopes.



    Escrito por Sú às 10h46 PM
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    Fique por dentro... EU FUI...RS

    "3º Encontra Conto"

    O Encontro Regional de Contadores de Histórias aconteceu nos dias 8 e 9 de março de 2008, o evento foi promovido pela Cia. Xekmat em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Santa Bárbara d'Oeste ( RMC - Região Metropolitana de Campinas).

    O encontro destinou-se a profissionais da região de Campinas e convidados especiais, tais como: Americana, Jundiaí, São Paulo e Araçatuba, representada por Sueli do Nascimento, promovendo o intercâmbio entre os contadores  para difundir a arte de contar histórias e a divulgação dos grupos e profissionais da área.

    Os contadores participaram de discussões, trocas de informações e experiências, dinâmicas e exposições em um espaço que, não por acaso, chama-se Casa Encantada. É uma casa modelada com diversos ambientes, próprios para a contação, e que há mais de dois anos contribui para o resgate da tradição oral.

    Confira as fotos do "3º Encontra Conto"

    PRESENÇA DA CONTADORA DE HISTÓRIA: CARMELINA DE TOLEDO PIZA



    Escrito por Sú às 09h50 PM
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    Sabores e Saberes...

    LITERATURA NÃO É BRINCADEIRA
    Por dentro do coração selvagem
    Graça Ramos
    Especial para o Correio

     

    Sylvia sempre surpreendente, de Fanny Abramovich, com ilustrações de Gê Orthof, mergulha no universo dessa que é, talvez, a mais satírica e divertida entre os autores brasileiros dedicados à infância.

    "Satírica, não", observa, Gê, filho e parceiro na criação das ilustrações de livros e na luta travada com dignidade contra o câncer, a dor e os fantasmas decorrentes dele. "Selvagem", corrige, após pausa para encontrar a palavra que acredita ser correta. "A escrita dela era selvagem, direta".

    A definição parece apropriada. Diz-se que selvagens são os não domesticados, os que seguem poucas regras e podem até ser ferozes. Nesses tempos em que viceja o politicamente correto, soa estranho falar assim de uma autora cuja obra se destina ao público miúdo — peço empréstimo aos lusos que assim nomeiam infantes e infantas.
    Foi exatamente essa capacidade de escrever abstraída da preocupação com o certo ou o errado, isentando-se da responsabilidade de dar ou passar lições de moral, que fez de Sylvia uma autora até hoje única no cenário da literatura infantil brasileira e ganhadora de alguns dos mais importantes prêmios nacionais. A amiga Fanny, também autora de livros para e sobre esse segmento, não lhe poupa elogios: "você continua sendo, para mim, a melhor autora de textos infantis deste Brasil. Claro, claríssimo, depois do Monteiro Lobato. Única capaz de ser parceira dele".

    Finda a leitura de Sylvia sempre surpreendente, resta a impressão de que a autora, com seus personagens "deliciantes" (expressão de Fanny) e imprevisíveis, foi para a literatura infantil uma espécie de Dercy Gonçalves. A comparação vem do mesmo Gê, durante entrevista em que recupera memórias e faz rápida análise da obra da mãe. À primeira vista, a comparação parece esquisita, mas ele logo explica: "no sentido de que ambas são debochadas". Concluo o raciocínio: e também por que uma fala e a outra escrevia sem medir as conseqüências, em um fluxo verbal distanciado do controle racional. Era inteira e íntegra, diz Fanny sobre Sylvia.

    Essa despretensão lingüística, sendo rara, acaba sendo sofisticada. No Brasil, poucos autores conseguem atingir esse nível de limpeza da linguagem. Lembra, às vezes, Mario Quintana, jorrando histórias loucas, flertando com o absurdo, provocando viagens deliciosas. Há em suas histórias uma ligação direta com a linguagem resgatada do coração da criança que cada um pode ter sido ou ser.

    "Ela desfez a ótica de extremos dos tipos nas histórias infantis brasileiras", assegura Ligia Cademartori, doutora em Teoria da Literatura, autora do livro O que é literatura infantil. Nos anos 1980, junto com personagens como Uxa, ora fada, ora bruxa, que romperam com o perfil bifronte tradicional dividido entre seres do bem e do mal, Sylvia não teve receio de incluir em seus textos palavras que pertenciam ao cotidiano das crianças, mas ausentes dos livros destinados a elas, como 'pum' e 'bumbum'. Não poupou ninguém dos despropósitos naturais da existência.

    O resultado de tal visceralidade foi a adesão imediata do público, mantido sempre o pacto incondicional com as crianças, que não censurava as histórias brotadas em fluxos desenfreados. Precisava usar "uma camisinha" de proteção nos dedos, tal era a profusão de histórias que teclava. Estima-se que escreveu cerca de 500, tendo publicado mais de uma centena de livros por 30 editoras. O resto perdeu-se, foi rasgado, pertence ao registro oral ou televisivo ou está em lugar incerto e não sabido.
    Gê possui uma história inédita, presente/tesouro íntimo bem guardado. A filha mais velha, Cláudia, encontrou um poema, pouco depois da morte da mãe, em um pequeno bloco de anotações, dentro da bolsa que usava. Pode ter sido escrito em seus últimos dias. Fala de partida, lembranças, e saudade:

    "Se eu me for vou de bagagem sem ter mala e compromisso... vou medir /o infinito."

    De família de imigrantes judeus, Sylvia nasceu em Petrópolis e cresceu, filha única de pais separados, desenvolvendo muito a imaginação. (...)

    Hoje, o reconhecimento do trabalho de Sylvia Orthof começa a ampliar-se (...).

    A leitura do livro de Fanny, assim como conversas com o filho e amigas, indica que Sylvia Ortof se expunha como nenhum outro autor do universo infantil. Convidada para conferência sobre literatura infantil, em meio a doutores e críticos, ficou muito ansiosa e decidiu improvisar o que chamaríamos hoje de performance, algo em que o filho Gê vem a ser expert. No início constrangido, o público, acadêmico, acabou cantando e dançando junto com ela. Do caos, ela fez um método de criação e de trabalho. Da precariedade, construiu um mundo de coisas e personagens. Tímida, colocou em cena a personagem que criara para si. Convocara seus amigos imaginários para se livrar dessa gaiola que pode ser a palavra e a linguagem dos outros.

    A jornalista Graça Ramos é doutora em História da Arte


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