BRASIL, Sudeste, BIRIGUI, Mulher, de 26 a 35 anos, Portuguese, Spanish, Arte e cultura, Livros, contação de histórias

 


 




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    Era uma vez...




    Artigo... Parte I

    Contos de fada – possível resolução para os conflitos infantis

    Ao entrar em uma sala de aula com crianças de cinco anos, carregando um livro de contos de fadas, um professor carrega mais que um livro. Mais que um simples conto. Quando o professor é um bom contador de histórias, o olhar daquelas crianças fica fixo, mas a mente voa.
    Como esses contos tornaram-se clássicos, se a narrativa acontece em palácios ou florestas e isso é tão distante da maioria das crianças, visto que não é comum encontrar palácios na cidade de São Paulo? E, apesar de existirem poucas florestas na nossa cidade, os jovens dão um jeito de se embrenhar em matas desconhecidas apesar do aviso de perigo dos pais.
    Os contos trazem conflitos pertinentes à vivência humana que permeiam diversas gerações. Eles trabalham com o conteúdo humano, com aquilo que muitas vezes fica escondido como a rivalidade fraterna, sensações edípicas, desejar a “morte” do pai do mesmo sexo... Desta forma, o conto de fada irá mostrar às crianças, de uma maneira subjetiva e em alguns pontos objetivamente, que a vida trará algumas dificuldades. A luta e a descoberta não acontecem da noite para o dia. O herói ou a heroína passam por diversas provas e essas devem ser realizadas por eles mesmos: “A única forma de nos tornamos nós mesmos é através de nossas próprias realizações”. (Bettelheim, 1980:173).
    A sociedade atual, globalizada, está cada vez mais tornando-se individualista e em busca de uma beleza externa perfeita, enquanto o mágico se esvai prematuramente.
    Todos os dias há notícias de violência na televisão, seja filho matando os pais ou pais descontrolados espancando seus filhos.
    Há também muitos programas que expõem a criança a uma sexualidade precoce. Seja programa infantil, novela ou “reality shows”. Uma reportagem da revista Educação, mostra-nos que os partos cresceram em 31% entre meninas de 10 a 14 anos – idade que a menina não tem maturidade psicológica, principalmente para criar um filho. As dúvidas e as angústias por que passam, crianças e jovens, são hoje respondidas de forma erotizada pelos meios de comunicação, especialmente a televisão. Sem contar o fácil acesso a sites da internet.
    O resgate da magia da leitura dos contos de fadas não será a solução dos problemas mundiais, no entanto, como eles atuam também no inconsciente, podem ajudar muito a criança a eliminar/entender o(s) conflito(s) pelo qual está passando no momento que entra em contato com a leitura e/ou a escuta deles.
    Existem diversas interpretações e análises para os contos de fada. É importante ressaltar que este artigo tem como respaldo a linha psicanalítica, levando em conta as teorias de Sigmund Freud e Jacques Lacan. Além disso, a escolha dos contos de fadas para a leitura foi cuidadosa, no sentido de procurar as traduções mais próximas das edições originais.

    “Não é surpreendente descobrir que a psicanálise confirma nosso reconhecimento do lugar importante que os contos de fadas populares alcançaram na vida mental de nossos filhos. Em algumas pessoas, a rememoração de seus contos de fadas favoritos ocupa o lugar das lembranças de sua própria infância; elas transformaram esses contos em lembranças encobridoras”. (Freud, 1913:355).

    Os contos surgem a partir dos mitos e tradições orais, alguns datados do século II d.C.. Eles sofreram e sofrem modificações em sua estrutura, não apenas por razões externas, mas também por razões internas ao do próprio contador. Nas versões escritas por Perrault, por exemplo, ele acrescenta preceitos morais, já que esses contos eram usados para a diversão na corte de Versalhes.
    Nos dias atuais, essas alterações também ocorrem acarretando muitas vezes uma modificação no enredo da história para parecer menos “chocante” aos olhos da sociedade. Os autores dessas mudanças acreditam que a perversidade existente nos contos podem influenciar as crianças de forma a estas tornarem-se “violentas”, no entanto, parece não querer ver que os conflitos existentes nos contos são os conflitos internos pelos quais as crianças passam.
    As histórias dos contos de fadas, independente do local de origem, passam-se em lugar e épocas inexistentes (“país muito longe”, “numa floresta encantada”, “há muitos e muitos anos”...). Esta é uma das razões da fácil migração e entendimento em várias culturas e por várias idades, já que os contos tratam de conflitos que permeiam toda a base humana universal. Ou seja, os contos são atemporais, assim como o Id.
    Os principais autores e adaptadores de contos de fada são Charles Perrault (França), Hans Christian Andersen (Dinamarca) e Jakob e Wilhelm Grimm (Alemanha) – estes últimos mais conhecidos como “Os irmãos Grimm”.
    Mas, afinal, qual a relação entre contos de fadas e a subjetividade infantil? Quais os conteúdos presentes em um conto que possibilitam a uma criança elaborar seus conflitos? É impossível detalhar cada trecho e cada passagem de todos os contos, não apenas pelo número volumoso de contos, mas principalmente porque cada conto tem uma importância diferente para cada criança em períodos diferentes de sua vida.
    Como se constitui um sujeito? Quais os conflitos que vive? Lacan, apropriando-se de Freud, nos oferece referenciais partindo do Estádio do Espelho. Este Estádio, descrito por Lacan, começa aproximadamente aos seis meses de idade. É através dele que a criança começa a conquistar sua imagem corporal, através do discurso e do desejo do outro (mãe).
    De que forma os contos de fadas expressam esse momento e seus conflitos? Como ilustração podemos citar o conto: O patinho feio. Nesta história de Andersen, uma pata choca seus ovos e quando estes se quebram um sai diferente de todos os outros. Feio. Apesar de nadar muito bem, o patinho é desprezado pelos seus irmãos, pela comunidade dos patos e por sua mãe que diz: “Eu queria ver você bem longe daqui!” (Andersen, 1995:110).
    O patinho começa a achar que ele é realmente muito feio, então foge. Durante sua viagem passa por dificuldades e seus infortúnios são responsabilizados pela sua feiúra. Até que em um momento, ele vê os cisnes e vai ao encontro desses, mesmo correndo o risco de levar bicadas. Chegando lá:
    “(...) O pobrezinho abaixou a cabeça, olhando para a água, e esperou. Mas que foi que ele viu na água límpida? Por baixo de si, viu sua própria imagem; só que sua imagem não era mais de um desajeitado pássaro cinza-escuro, feio e repelente. Ele era um cisne!” (Andersen, 1995:118).
    O patinho, na verdade um cisne, já havia nadado antes em outros lagos. Porém, olhava-se através do olhar do outro, assujeitado ao desejo e olhar do outro – principalmente daquela que exerce a função materna. Saindo para o mundo, crescendo, quando volta a olhar sua imagem ele já vê um lindo cisne branco e não apenas um pato cinza feio – saída dessa assujeitação. É nesse Estádio que a criança começa aos poucos perceber que seu corpo, até então sentido como fragmentado, é algo único. É através dessa experiência, com a mediação do outro-mãe (mãe, enquanto função materna), que a criança começa estruturar seu eu e a conquistar a sua imagem corporal.



    Escrito por Sú às 11h05 AM
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    Artigo... Parte II

    Essas identificações que as crianças fazem com os contos são facilitadas pela não especificidade de tempo e local. A identificação com os personagens é facilitada pela ausência de nome próprio. Normalmente o nome é relacionado às características físicas, como por exemplo, Branca de Neve e Cinderela ou Gata Borralheira (o nome origina de cinders, que significa borralho), um dos únicos nomes próprios que aparece é João – freqüente em muitas histórias – e Maria). Nos contos, a idade das princesas, reis, rainhas, bruxas, príncipes, etc. não é definida sendo possível transitar por todos os personagens em momentos diferentes de nossa vida.
    No conto há o personagem malvado, que geralmente é nominado e aparece sob a descrição da madrasta da “Branca de Neve”, a bruxa da casa de chocolates de “João e Maria” e o gigante que mora nas nuvens na história “João e o pé de feijão”. Ou seja, a maldade pode estar presente em todos nós. Nos contos, os personagens não têm ambivalência: ou são bons ou são maus – da mesma maneira que a criança pensa: a mãe má não pode ser a mãe boa.
    Na atualidade, muitos contos aparecem de forma distorcida do original. Um grande exemplo disso, são os desenhos animados de Walt Disney, que subtraem passagens consideradas mais fortes com o objetivo de não assustar ou chocar as crianças, “evitando” o conflito. Não podemos generalizar, algumas histórias de Disney merecem a devida atenção como O rei leão e a mais nova animação, Procurando Nemo. No entanto, quanto à adaptação de contos de fadas clássicos, estes aparecem distorcidos e amenizados.
    Os contos no original podem chocar alguns adultos, é “assustador” um lobo que come uma menina (Chapeuzinho vermelho) ou uma sereia que arranca sua própria língua em busca do amor de um humano (A Sereiazinha) ou um rapaz que procurando o medo retira sete enforcados da forca para aquecê-los (O homem que saiu em busca do medo). Muitos adultos olham as crianças sob a lógica do adulto e não sob a fantasia da criança.
    Quando pequena, a criança pode ser bem agressiva: bater no irmão, não sair de perto da mãe, morder o colega da escola... a medida que cresce e começa a socialização a criança fala, ao invés de agir – simbolizando. E o conto é exatamente a escrita de uma simbolização, de um mundo onde a criança pode extravasar seus anseios, medos e necessidades.
    Escondendo a dor, a perda, a violência dos contos, esconde-se o que há de mais verdadeiro nessas histórias. O conto não deve ser só feito de imagens boas, pois não deve ser uma fuga para as crianças se esconderem em um mundo de faz de conta. Mas, conter as passagens de medo, angústia, vingança como um meio da criança simbolizar seus próprios conflitos.
    O enredo dos contos de fada também reproduz as histórias de vida das crianças, pois nele o herói sai de casa, passa por privações, enfrenta perigos e conhece a maldade, triunfando no final da história. Na vida, a criança passa por estas modificações: precisa sair de casa. Desligar-se dos pais. Ir para escola, fazer amigos, saber evitar situações de risco, explorar o mundo a sua volta.
    A criança tem relação de total indistinção com a mãe nos primeiros meses de vida. A criança é o desejo da mãe. Essa quebra se dá com a interdição ao incesto que a função paterna realiza. A partir desse momento a criança, volta-se para a cultura. Para o Outro. E o conto de fadas entra como este Outro, pois também pode ajudar na separação dessa relação mãe-criança. Isso acontece pois, de maneira simbólica, o conto atua no psíquico da criança.
    Podemos tomar como exemplo o conto de Andersen, A Polegarzinha. Nesta história, uma mulher deseja muito ter um filho, então pede ajuda a uma feiticeira que lhe dá um grão de cevada - semente. A partir do beijo da mãe, a flor se abre e nasce a filha, como é muito pequena, recebe o nome de Polegarzinha. Um dia, enquanto está dormindo, uma sapa a seqüestra para casar-se com o filho sapão. No entanto, a menina foge com a ajuda dos peixes. Um besouro a pega para casar-se com ele, mas todos os outros insetos dizem que Polegarzinha é muito feia. Depois de ser deixada pelo besouro a personagem acredita ser feia. Ela encontra-se, então, com uma rata, e esta também quer realizar o casamento da Polegarzinha com o vizinho toupeira, por este ser rico e inteligente. Enquanto está na casa da rata, a menina salva uma andorinha e esta depois ajuda sua salvadora a fugir do casamento, levando-a para um lugar onde há outras pessoas como ela – pequena como o dedo polegar. Lá então Polegarzinha conhece um homem com quem se casa.
    Esta pequena história nos mostra que Polegarzinha vive segundo os desejos do Outro. É sempre levada, carregada para os lugares sem ser questionada. Quando a andorinha aparece, a personagem faz uma escolha, pois lhe é feita uma pergunta: “O frio inverno está chegando – disse a pequena andorinha – Estou de viagem para as regiões quentes. Você quer vir junto?” (Andersen, 1995:34).
    A criança quando pequena, é o desejo da mãe, tem medo e gosta daquilo que a mãe gosta. Para ilustrar, transcrevo um trecho da fala de uma paciente de Maud Manonni: “A fumaça”, diz Isabelle, “arde nos olhos das crianças. Elas têm medo. No fundo elas não têm medo, é porque a mamãe tem medo que elas têm o medo da mamãe(...)” (Manonni, 1988:137).
    O conto ilustra Polegarzinha presa ao desejo dos outros até que toma sua decisão e parte, libertando-se dos desejos dos outros e tornando-se um sujeito desejante. Agora, já caminha com seus próprios pés, sem precisar ser levada pelos outros.
    A pesquisa realizada para este artigo apenas está começando. Este é um pequeno apanhado de quantas significações e significados podemos encontrar em uma literatura de tão fácil acesso como os contos de fadas. Para percorrer este caminho agi um pouco como Chapeuzinho Vermelho, ao olhar pelos cantos. Em alguns momentos saí da trilha, mas logo retomei o meu rumo. Em outros, fiquei como a Bela Adormecida, esperando o momento para despertar e então escrever mais algumas linhas. Em outras, sendo ousada, como a menina que percorre o mundo em “Os sete corvos”.
    Os contos de fadas vêm mobilizando milhares de crianças, jovens e adultos durante muitas décadas. Muitos trazem lembranças, sejam boas ou más, de algum conto em particular. Como cada um vivencia um conto é único.
     
     
    Referências Bibliográficas:
    ANDERSEN, Hans C. Histórias maravilhosas de Andersen. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 1995.
    BETTELHEIM, Bruno. A psicanálise dos contos de fadas. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2002.
    FREUD, Sigmund. A ocorrência, em sonhos, de material oriundo de contos de fadas. Obras Completas de Sigmund Freud. Volume XII, 1913.
    MANNONI, Maud. Efeitos da reeducação em uma criança neurótica. In: A criança retardada e a mãe. São Paulo: Martins Fontes,1988. p. 125-146



    Escrito por Sú às 11h04 AM
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    Era uma vez...

    A lua que não dei...

    Compreendo pais - e me encanto com eles - que desejariam dar o mundo de presente aos filhos. E, no entanto, abomino os que, a cada fim de semana, dão tudo o que filhos lhes pedem nos shoppings onde exercitam arremedos de paternidade. E não há paradoxo nisso. Dar o mundo é sentir-se um pouco como Deus, que é essa a condição de um pai. Dar futilidades como barganha de amor é, penso eu, renunciar ao sagrado.

    Volto a narrar, por me parecer apropriado à croniqueta, o que me aconteceu ao ser pai pela primeira vez. Lá se vão, pois, 45 anos. Deslumbrado de paixão, eu olhava a menina no berço, via-a sugando os seios da mãe, esperneando na banheira, dormindo como anjo de carne. E, então, eu me prometia, prometendo-lhe: "Dar-lhe-ei o mundo, meu amor." E não lho dei. E foi o que me salvou do egoísmo, da tola pretensão e da estupidez de confundir valores materiais com morais e espirituais.

    Não dei o mundo à minha filha, mas ela quis a Lua. E não me esqueço de como ela pediu, a Lua, há anos já tão distantes. Eu a carregava nos braços, pequenina e apenas balbuciante, andando na calçada de nosso quarteirão, em tempos mais amenos, quando as pessoas conversavam às portas das casas. Com ela junto ao peito, sentia-me o mais feliz homem do mundo, andando, cantarolando cantigas de ninar em plena calçada. Pois é a plenitude da felicidade um homem jovem poder carregar um filho como se acariciando as próprias entranhas. Minha filha era eu e eu era ela. Um pai é, sim, um pequeno Deus, o criador. E seu filho, a criatura bem amada.

    E foi, então, que conheci a impotência e os limites humanos. Pois a filhinha - a quem eu prometera o mundo - ergueu os bracinhos para o alto e começou a quase gritar, assanhada, deslumbrada: "Dá, dá, dá..." Ela descobrira a Lua e a queria para si, como ursinho de pelúcia, uma luminosa bola de brincar. Diante da magia do céu enfeitado de estrelas e de luar, minha filha me pediu a Lua e eu não lha pude dar.

    A certeza de meus limites permitiu, porém, criar um pacto entre pai e filhos: se eles quisessem o impossível, fossem em busca dele. Eu lhes dera a vida, asas de voar, diretrizes, crença no amor e, portanto, estímulo aos grandes sonhos. E o sonho da primogênita começou a acontecer, num simbolismo que, ainda hoje, me amolece o coração. Pois, ainda adolescente, lá se foi ela embora, querendo estudar no Exterior. Vi-a embarcar, a alma sangrando-me de saudade, a voz profética de Kalil Gibran em sussurros de consolo:

    "Vossos filhos não são vossos filhos, mas são os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma. Eles vêm através de vós, mas não de nós. E embora vivam convosco, não vos pertencem. (...) Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas."

    Foi o que vivi, quando o avião decolou, minha criança a bordo. No céu, havia uma Lua enorme, imensa. A certeza da separação foi dilacerante. Minha filha fôra buscar a Lua que eu não lhe dera.

    E eu precisava conviver com a coerência do que transmitira aos filhos: "O lar não é o lugar de se ficar, mas para onde voltar."

    Que os filhos sejam preparados para irem-se, com a certeza de ter para onde voltar quando o cansaço, a derrota ou o desânimo inevitáveis lhes machucarem a alma. Ao ver o avião, como num filme de Spielberg, sombrear a Lua, levando-me a filha querida, o salgado das lágrimas se transformou em doçura de conforto com Kalil Gibran: como pai, não dando o mundo nem Lua aos filhos, me senti arqueiro e arco, arremessando a flecha viva em direção ao mistério.

    Ora, mesmo sendo avós, temos, sim e ainda, filhos a criar, pois família é uma tribo em construção permanente. Pais envelhecem, filhos crescem, dão-nos netos e isso é a construção, o centro do mundo onde a obra da criação se renova sem nunca completar-se. De guerreiros que foram, pais se tornam pajés. E mães, curandeiras de alma e de corpo. É quando a tribo se fortalece com conselheiros, sábios que conhecem os mistérios da grande arquitetura familiar, com régua, esquadro, compasso e fio de prumo. E com palmatória moral para ensinar o óbvio: se o dever premia, o erro cobra.

    Escrevo, pois, de angústias, acho que angústias de pajé, de índio velho. A nossa construção está ruindo, pois feita em areia movediça. É minúsculo o mundo que pais querem dar aos filhos: o dos shoppings. E não há mais crianças e adolescentes desejando a Lua como brinquedo ou como conquista. Sem sonhos, os tetos são baixos e o infinito pode ser comprado em lojas. Sem sonhos, não há necessidade de arqueiros arremessando flechas vivas.

    Na construção familiar, temos erguido paredes. Mas, dentro delas, haverá gente de verdade?

     



    Escrito por Sú às 10h48 AM
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